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"A ferro e fogo, eu nasci. A ferro e fogo, eu morri. Mais de mil vezes"
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Domingo, Fevereiro 25, 2007
Ainda que seus passos pareçam inúteis; vá abrindo caminhos como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão... saint-exupéry
Imagens que nos cercam todos os dias, muitas vezes marcam nossa vida como um todo. Quantas vezes nos deparamos com cenas que acabam se fixando lá no fundo da mente e que, em momentos de desequilíbrio emocional, reavivemos, trazendo-as de volta para nossas cabeças. Por vezes para rir, outras para chorar.
Cenas assim tem me acompanhado nos últimos dias. Olhar com o canto dos olhos pela janela, durante a madrugada solitária e avistar um homem, dominado pela loucura sob efeito de um entorpecente qualquer, furtando um comércio, me deixou anestesiada. Mais que eu, o homem desesperado não sabia pra onde ir, sem obter sucesso no roubo e caminhava para lá e para cá.
Ao sumir das minhas vistas, tive a impressão de que ele entrava em casa, dominado pelo ódio de não conseguir roubar o que acreditava ser possível para sustentar seu vício. A adrenalina e o pavor, no momento em que a solidão tomava conta do cenário, foram muito fortes. E o desespero demorou dias para sair da mente.
Mas, caminhando pela rua, eis que avisto uma cena bela. O homem da arte, inspirado pelo cênico, vai alegrando pessoas ao se produzir em homem-estátua. O ganha pão e o trabalho do jovem não seria mais gratificante e belo quando, depois de passar por ele uma senhora com uma filha com um tipo de deficiência, que não pude precisar ao certo qual era, ele parou.
Meus olhos se encheram de lágrimas quando percebi que o ator retirava do seu ganha-pão, algumas moedas para entregar à mãe, tentando, de alguma maneira, ajudar, aliviar a carente família, que por ali passava.
Outras cenas fantásticas vivem em mim há anos. O nascer do sol, o cair da chuva, o explendor das flores, a brisa suave, que mesmo sem enxergar, sinto em mim todas as manhãs. Essas, busco manter e relembrar, sempre que um dia triste se aloja no peito.
No mais, as últimas cenas vividas, apreciadas e compartilhadas, tem sido com amigos. Imagens de bocas sorrindo, olhos brilhando, rostos que confortam e que trazem a imagem do conforto, do acolhimento, da saudação.
E em meio a cenas como todas essas que acontecem diariamente, vou seguindo a vida. Por caminhos tênues, estradas largas que acabam nos confundindo para onde devemos ir, mas sigo adiante. E atrás, ficam cenas e imagens, seladas no peito, que tocam por dentro e ajudam pela busca da paz.
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